De acordo com a UNB, o abalo teve como epicentro a Vila Atlântida (próxima da falha geológica, apontada como causa dos fenômenos) e foi sentido em todas regiões da cidade e em municípios vizinhos. O fenômeno também teve grande repercussão nas redes sociais.
Após o mais forte dos abalos na cidade – de 4.2 na Escala Richter, ocorrido em 19 de maio de 2012, no início de junho passado, foram instaladas na cidade nove estações sismográficas da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de São Paulo (USP), que passaram a monitorar os fenômenos, em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Em março último, foi divulgado relatório dos estudos, que confirmaram que a causa dos sismos é uma falha geológica de 3 quilômetros de extensão, situada a cerca 1,5 a 2 quilômetros de profundidade.
Conforme registros dos aparelhos da UnB e da USP, entre maio e dezembro de 2012, ocorreram 176 “eventos” no município, dos quais a metade “fenômenos naturais” (tremores) e outra metade detonações realizadas por pedreiras.
Um questão foi levantada pelos moradores: porquê os tremores se intensificaram nos últimos anos? Como resposta, o chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, Lucas Vieira Barros, explica que os abalos são cíclicos, ou seja: podem ocorrer em determinada região por um determinado período e depois e são interrompidos. “Os sismos podem ocorrer em uma região durante três, quatro, cinco anos ou mais”, explica o especialista, lembrando que em Porto dos Gaúchos (Mato Grosso) teve uma sequência de tremores durante cerca de 10 anos, entre os anos 1990 e 2000.
“Normalmente, há uma sismicidade que durante um certo período. Aí, começa novamente um lento e gradual acúmulo de energia no interior da terra, que pode demorar 10, 20, 50, 100 e até 1 mil anos para ser liberada novamente e provocar outros tremores”, afirmou Vieira Barros. O ambientalista José Ponciano Neto, de Montes Claros, disse acreditar que os tremores registrados na cidade estejam relacionados com intervenções no subsolo, como a abertura de poços tubulares e perfurações para pesquisas sobre ocorrência de gás natural. “Mas, não existe relação entre os fenômenos e as interferências do homem na natureza”, assegurou o chefe do Observatório da UnB.
Vieira Barros também afirmou em situações que são registrados pequenos tremores em sequência, podem ocorrer um abalo de maior intensidade. No entanto, pelas características do Brasil e da falha geológica de Montes Claros, praticamente está descartada a possibilidade de ocorrência de um tremor com intensidade acima de 5.0 graus na escala Richter, capaz de provocar grandes prejuízos.
Fonte: Muralmontesclaros.com