Pesquisador do Programa de Pós-graduação em Evolução Crustal e Recursos Minerais da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), o professor André Danderfer, do Departamento de Engenharia Geológica da instituição, está coordenando um projeto de pesquisa que busca investigar a evolução geológica de um antigo segmento de crosta continental – conhecida por crosta arqueana-paleoproterozoica –, exposta no Norte de Minas Gerais, onde se encontram rochas graníticas e sedimentares metamorfisadas (formadas por transformações físicas ou químicas de outras rochas) com idade que supera 1,6 bilhão de anos.
A pesquisa, segundo o coordenador, tem a colaboração dos professores Cristiano de Carvalho Lana e Hermínio Arias Nalini Júnior, além do aluno de doutorado Francisco Robério de Abreu, e recebeu o nome de “Evolução tectônica e geocronológica da porção central do bloco Itacambira – Monte Azul, borda leste do paleocontinente São Francisco, Norte de Minas Gerais”. Para seu desenvolvimento, já conta com recursos garantidos de mais de R$ 40 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). “O estudo vai jogar luz sobre uma área que abrange parte das cidades de Porteirinha e Riacho dos Machados, na Região do Espinhaço Central”, revela Danderfer.
De acordo com o professor e pesquisador, a região em questão carece de estudos de campo e de investigações laboratoriais sobre aspectos petrográficos (constituição mineralógica), geoquímicos (composição química) e geocronológicos (idade) das rochas. Para ele, os terrenos do bloco Itacambira – Monte Azul fazem parte de um antigo continente, conhecido na literatura brasileira e internacional como “paleocontinente São Francisco”, que ‘vagou’ pelo planeta até se juntar a outros continentes maiores e menores, em torno de 600 milhões de anos atrás, vindo a formar o atual subsolo do território brasileiro.